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Dias is That Damn Good #200 – "Self-Interview"

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Dias is That Damn Good #200 – "Self-Interview"

Mensagem por Dias Ferreira em Sex Ago 22 2014, 23:09

Boas Pessoal!

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Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO

O texto que agora vos escrevo marca a 200ª edição do meu espaço de reflexão na comunidade de wrestling online nacional. Trata-se de uma coluna que criei corria o ano de 2007 e na qual tenho aproveitado para dissertar e reflectir acerca dos mais variados temas e assuntos de interesse a respeito da modalidade. 200 edições em 7 anos que englobam, portanto, diferentes fases da minha vida (desde a entrada para a universidade, passando pela vida pós-universitária e pela entrada no mercado de trabalho e respectivas responsabilidades que essa situação acarreta), fases de menor e de maior maturidade, mas que reflectem, também, o crescimento, os conhecimentos e as experiências que vamos adquirindo com o passar do tempo. Será, por isso, razoável e fácil compreender que as minhas opiniões e formas de ver os diversos acontecimentos e situações possam ter sofrido algumas transformações...mas faz tudo parte de um processo natural, afinal de contas, estamos sempre a aprender.

Desta forma, e por se tratar de um número redondo (julgo até um marco na nossa blogosfera), decidi enveredar por algo diferente com a 200ª edição do "Dias is That Damn Good". Decidi-me por fazer uma auto-entrevista (self-interview, como refere o sub-título), em que tentarei retratar de forma fiel não só aquilo que penso sobre o meu papel enquanto blogger e membro da CWO, mas também acerca da própria CWO e procurarei, especialmente, dar a minha opinião a respeito do Pro Wrestling e toda a indústria e business que o envolve.

Não percam, portanto, as próximas linhas...

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Como te chamas, que idade tens, qual a tua formação académica (se tiveres), o que tens feito e o que fazes actualmente a nível profissional?

Francisco. O meu nome é Francisco e o apelido Dias Ferreira. Pelo que podem perceber, escolhi o apelido como assinatura. Tenho 26 anos e sou licenciado em Relações Internacionais pela Universidade do Minho. Frequentei, ainda, uma pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos no ISEG, faltando-me duas cadeiras para a terminar (um dia hei-de terminá-la =P). Quando conclui o meu percurso académico fiz um estágio profissional durante um ano numa organização de desenvolvimento regional, onde estava responsável por fazer candidaturas a projectos comunitários e assegurar a gestão dos mesmos. Actualmente, estou a trabalhar numa empresa no ramo das telecomunicações, a Somitel.

Ora, então, feitas as apresentações, diz-me quando começaste a ver "ressling" e de que forma o conseguiste e/ou foste acompanhando?

Na verdade, comecei desde muito novo, era ainda criança, por volta de 1994/95 (tinha, portanto, 6 ou 7 anos). Tive o primeiro contacto com a modalidade através do programa "Wrestling Challenge" da WWE que era, à época, transmitido pela RTP1 e que contava com os comentários do falecido Tarzan Taborda. Depois, salvo erro, o programa deixou de ser transmitido em finais de 1995 e, a partir de então, até voltar a ser transmitido em Portugal pela Sic Radical, costumava ver pelos canais da parabólica de um amigo. Nesses canais, uns em ingleses e outros alemães (nestes últimos não percebia patavina do que se dizia lol), consegui acompanhar também a WCW no seu período de maior visibilidade e mediatismo e, consequentemente, as Monday Night Wars. Após o encerramento da WCW, continuei a seguir a programação da WWE, tendo ainda, a partir de 2005/6 começado a acompanhar a TNA (primeiro através da Eurosport e, posteriormente, dos videos na net). Quando tomei conhecimento da CWO nacional, comecei a acompanhar também, embora de forma menos consequente, algumas promotoras do circuito independente norte-americano (especialmente a Ring Of Honor). Devo confessar, ainda, que durante a minha infância seguia, também, religiosamente, os desenhos animados da WWE (não me recordo em que canal passavam), tendo-me tornado rapidamente num fã de Roddy Piper que era o mau da fita lol.

E consegues dizer-nos o que te chamou e/ou prendeu a atenção no primeiro contacto com o Pro Wrestling?

Bem, como já tive oportunidade de referir, era ainda bastante miúdo quando assisti pela primeira vez a um programa de wrestling, contudo, acredito que tenha sido, acima de tudo, o facto de se enfrentarem tipos enormes, cheios de músculos, com personagens completamente fora do comum e bastante cartonizadas e as histórias que mais me chamaram a atenção...parecia um espectáculo de desenhos animados que tinham ganho vida. Penso ter sido isso, como aconteceu certamente com as crianças da altura, que captou a minha atenção. No entanto, como é óbvio, com o passar do tempo as minhas preferências e expectativas alteraram-se...as razões que me mantiveram ligado à modalidade e um seguidor da mesma foram mudando com a idade, a maturidade e, acima de tudo, com a quantidade de conhecimentos que ia adquirindo à medida que ia assistindo a mais e mais programas e eventos. Confesso, no entanto, que grande parte dos conteúdos apresentados pela WWE e pela WCW durante as Monday Night Wars (na minha opinião o período mais rico, mais criativo e de maior qualidade na história da indústria) só os compreendi verdadeiramente anos mais tarde quando tive oportunidade de rever os diversos videos dos RAWs, SmackDown, Nitros e Thunders dessa época (um tipo na infância não percebe, nem compreende o alcance de muita coisa lol).

Referes-te às Monday Night Wars de forma bastante elogiosa, porque eleges esse período como o melhor na história da modalidade? Os anos 80 também foram interessantíssimos e cheios de entusiasmo, foi aliás no decorrer dos mesmos que o wrestling teve o seu primeiro grande boom, não consideras essa época ao mesmo nível do período que marcou a rivalidade entre a WWE e a WCW?!

A resposta a essa questão irá variar sempre de pessoa para pessoa, consoante os seus gostos e preferências, por isso, será sempre bastante subjectiva. O que posso dizer, no entanto, é que o realismo, a originalidade, a criatividade, a espectacularidade e a imprevisibilidade que marcaram as Monday Night Wars transformaram os conteúdos apresentados durante essa época em algo que correspondia quase por completo às minhas expectativas enquanto fã da modalidade. O público-alvo nesse tempo eram os jovens adolescentes e uma faixa etária que dificilmente ia para lá dos 40 anos, estava bastante bem definido e as promotoras sabiam o que o seu público queria ver, sabiam retratar nas suas storylines e angles a sociedade em que viviam, por isso, era normal que os fãs, revendo-se nos conteúdos, gostassem de acompanhar os acontecimentos. Por outro lado, não quero deixar de reconhecer qualidade e importância ao que foi feito e produzido durante os anos 80, porque houve excelentes histórias, um fantástico storytelling e wrestlers com personalidades extraordinárias...o problema é que cresci e vivi num mundo e sociedade com valores e expectativas diferentes daqueles que marcaram a década de 80 e, por essa razão, nunca me consegui rever totalmente nos conteúdos apresentados durante esse período. Por outro lado, o facto de haver uma verdadeira competição e concorrência nos anos 90 obrigou a que as companhias e os seus wrestlers se superassem semana após semana e isso foi bastante benéfico para o business e para nós, fãs. Por último, é preciso recordar que nunca como nos anos 90 o pro wrestling conseguiu obter números, ratings e influência tão elevados na sua história. E estes factos, pesam como é óbvio na minha decisão.

E durante esse período, preferias os conteúdos da WWE ou os da WCW?

Confesso que sempre fui um seguidor muito fiel da WWE, mesmo quando esta apresentava conteúdos mais fracos e de menor qualidade. É preciso reconhecer que ninguém produz com a mesma qualidade que a empresa de Vince McMahon e que ninguém consegue fazer com o mesmo sucesso as coisas que ele se propõe realizar. Por essa razão, e desde que continue a seguir essa matriz, a WWE, muito provavelmente, será sempre a melhor promotora do ramo. Agora, isso não invalida que tenha assistido com grande prazer à programação da WCW, especialmente quando se iniciou o angle/storyline dos outsiders e dos nWo (e neste ponto, reconheço, apesar da WWE ter o Shawn Michaels na melhor fase da sua carreira e personagem, a WCW apresentava um produto bastante melhor...só que, quando a WWE despertou e começou a adaptar o seu conteúdo com a Attitude Era, nunca mais deu hipóteses à concorrência). Portanto, pelas mais diversas razões, muitas delas completamente subjectivas, sempre me identifiquei mais com a programação da WWE.

Como encaraste o posterior encerramento da WCW e que principais consequências julgas esse acontecimento ter provocado no business?

Foi muito mau. Foi mau para os wrestlers, foi mau para os restantes workers, foi mau para a indústria, foi péssimo para o business e foi, especialmente, mau para os fãs. Como já tive oportunidade de escrever em outras edições do "Dias is That Damn Good", o fim da concorrência e a implementação de um monopólio da WWE prejudicou e feriu gravemente a modalidade. Os wrestlers e restantes workers deixaram de ter uma verdadeira alternativa para prosseguir com real sucesso as suas carreiras, a falta de competição e de pressão amoleceu a WWE e o seu conteúdo tornou-se bastante mais enfadonho e menos interessante e a própria indústria, como é normal, ressentiu-se dessa situação, com a perda de seguidores e o declínio dos números, ratings e influência de que a modalidade, actualmente, goza no mercado televisivo e na própria sociedade norte-americana.

E como olhas para a TNA, não a vês como uma possível alternativa à WWE e uma organização importante para o crescimento da indústria?

Pessoalmente acredito que a TNA tem excelentes talentos e enormes capacidades para continuar a crescer e a afirmar-se cada vez mais como uma promotora "main stream". Agora, também é óbvio que ainda não é esse o seu actual status e que, infelizmente, a sua administração já demonstrou por diversas ocasiões não estar à altura das potencialidades da própria promotora. Reconheço e saúdo o esforço e dedicação de todos quantos estão envolvidos na companhia, mas é claro de mais que ela necessita de um rumo e estratégia correctos e que lhes dê tranquilidade do ponto de vista financeiro para se concentrarem de um modo mais profundo na produção e rentabilização dos seus eventos, programas, produtos e wrestlers. Eu assisto aos programas e shows da TNA e gosto de o fazer, eu gosto de wrestling e, por isso, procuro ver a maior quantidade de conteúdos possíveis a respeito da modalidade, agora, isso não me leva a reconhecer, por enquanto, à TNA capacidade para se constituir uma alternativa à WWE...porque não tem o seu tamanho, não tem as suas capacidades e, acima de tudo, não tem o seu "know how". E o problema, como disse anteriotmente, parece-me estar, precisamente na forma como os donos da companhia a vêem, porque na ânsia de se mostrar diferentes da WWE, acabam muitas vezes por retomar receitas antigas como acontecesse actualmente onde há uma clara inclinação para o modelo/matriz ECW. Não me interpretem mal, eu não acho que a TNA deva ser ou querer ser igual à WWE, agora, penso que deve ambicionar a sua grandeza, dimensão, visibilidade e capacidade. A TNA deve almejar constituir-se uma "main stream" e, sinceramente, infelizmente penso eu, não me parece que seja isso que a sua administração queira ou esteja a planear.

Já deu para perceber que tens, portanto, algumas reservas face ao produto que nos é oferecido actualmente pelas duas maiores promotoras da indústria, não é verdade?

Não sei se reservas é a expressão mais indicada, porque continuo a seguir com gosto os programas da WWE e da TNA. Eu diria antes que lamento o facto de tanto uma companhia como outra estarem bastante longe de utilizar e rentabilizar todo o potencial que têm. Nós olhamos para a WWE e tirando uma ou outra história no main event, percebemos que os restantes wrestlers estão no card a defrontar-se apenas pelo combate em si, sem qualquer razão que o justifique ou história que ajude a construir esses mesmos confrontos e, na minha opinião, isso não tem desculpa. Depois, tão depressa nos oferecem um show de grande qualidade, como nos apresentam três ou quatro de seguida que não acrescentam nada de novo e que, na verdade, até custam seguir pelo elevado número de horas (na minha opinião o RAW deveria regressar imediatamente às duas horas). Por outro lado, a TNA com as suas constantes mudanças de rumo e de estratégia, também não nos deixa seguir um fio condutor das suas histórias, nem perceber a quem verdadeiramente eles querem dar um push e elevar. E esta recente aproximação, ainda que ao de leve, para com o modelo/matriz da antiga ECW também não me agrada muito. Mas pronto, a verdade é que as coisas, em ambas as companhias já estiveram piores...actualmente há jovens talentos de grande potencial e qualidade nos planteis das duas, o que nos permite encarar o futuro, pelo menos, com alguma esperança. Esperança é, também, o que tenho relativamente à capacidade da TNA para conseguir renovar o seu contrato de tv com a Spike ou para encontrar uma nova estação de televisão que passe os seus programas.

Disseste anteriormente que seguias, embora de forma menos consequente e profunda, o circuito independente norte-americano...tens alguma consideração a tecer sobre o mesmo e as mais diversas promotoras que o constituem?

Confesso que o sigo mais no sentido de descobrir novos talentos e/ou movimentos que vão aparecendo e uma ou outra história que acabo por considerar mais interessante. Devo dizer, no entanto, que não oferecem conteúdos e/ou uma produção que me agrade ou satisfaça verdadeiramente...não aprecio muito as suas storylines e storytelling, nem o seu in-ring style bastante vocacionado para o highflying wrestling, mas pronto, é uma questão de preferências. Apesar de tudo, conseguimos encontrar por lá jovens talentos de grande qualidade e potencial e é, em grande medida, por essa razão, que não deixo de acompanhar minimamente o que se vai fazendo, especialmente na ROH.

E as promotoras de Lucha-Libre mexicanas e/ou as companhias de puroresu japoneses, não te dizem nada?

Pois, de facto também não me dizem muito. Relativamente à lucha-libre, julgo ser do conhecimento público o facto de não gostar minimamente do highflying wrestling, pela falta de psicologia de ringue e pela total incapacidade de contar histórias dentro do ringue que esse estilo advoga. Por isso, nunca senti grande interesse, entusiasmo ou necessidade de acompanhar a lucha-libre. Num outro sentido, reconheço a grande capacidade e qualidade do puroresu dentro do ringue, no entanto, para mim pro wrestling é sinónimo de "sports entertainment" e, por isso, a parte do entretenimento é fundamental, algo a que o estilo japonês não atribuiu relevante importância...e sem storylines e/ou rivalidades profundas e bem contadas, também acabo por me afastar um pouco desse estilo.

Para terminar esta fase da entrevista...Consegues dizer-nos quais foram, então, os wrestlers que mais te marcaram e que mais apreciaste ao longo de todos estes anos como fã?

Definitivamente o Triple H. Para mim o Triple H é o melhor wrestler de sempre e eu reconheço que sempre que falo ou vejo qualquer coisa de que ele toma parte, me transformo imediatamente num enorme mark (lol). Por outro lado, sempre gostei de tipos como o Ric Flair e o Roddy Piper, assim como de todos aqueles que constituíram o famoso grupo de backstage "The Kliq". Como podes perceber, portanto, sempre fui um fã de heel guys...

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Passemos agora para a CWO e a Blogosfera nacional, conta-nos, como foi o teu primeiro contacto com ela?

Apesar de já seguir a modalidade há bastante tempo e desde muito novo, a verdade é que só comecei a acompanhar os desenvolvimentos a partir dos sites das promotoras e dos dirt sheets, para aí, a partir de 2001 ou 2002. Contudo, a principio, limitei-me a consultar apenas o que se ia escrevendo e publicando a nível internacional, não tinha qualquer noção da existência em Portugal de sites, blogues e fóruns que tratassem de pro wrestling. Foi, portanto, com grande surpresa que, já em 2006, descobri o Galáxia Wrestling através de um link dos videos da Rute (única bloguer que à época carregava os videos dos mais diversos shows, ppvs e dvds). Depois tentei explorar e pesquisar para ver se havia mais alguma plataforma nacional do género e então deparei-me com uma boa quantidade de blogues, de entre os quais, posso destacar o Wrestling Notícias, o XBooker, o Wrestling Fever e o fórum SWWE.

Na altura, o que te chamou mais à atenção?

Bem, desde logo, o facto de ao final de tantos anos ter encontrado finalmente um espaço nacional que se centrava na modalidade. Depois, havia, de facto, muita gente a escrever e a partilhar os seus conhecimentos e reflexões com grande qualidade, lembro-me, facilmente, do Marcão e do Talionis no Galáxia Wrestling, do Wolve, do Gandhy, do Deadman e do Manjinmortal no Wrestling Notícias, do Pedro "Axe" Machado e do Fundertaker no XBooker, enfim, havia mesmo muita qualidade nas diversas colunas e espaços que eram publicados. E, por outro lado, era tudo uma novidade, aparecia tudo como novo, como a primeira vez que se estava a fazer...era bastante interessante.

Tornaste-te, depois, um membro activo da CWO e da Blogosfera nacional, sei que criaste o teu próprio blogue (Wrestling Spam), consegues explicar-nos todo esse processo?

De facto, depois de alguns meses a acompanhar de perto a blogosfera nacional e os seus maiores nomes e conteúdos, pensei que também devia aproveitar para partilhar os conhecimentos que havia adquirido, colocar as minhas questões e reflexões, trocar ideias com o pessoal que estava activo na área, etc. Para além disso, como referi anteriormente, não deixava de ser um desafio interessante e novo, pelo que me senti realmente tentado e entusiasmado para assumir uma postura de maior participação. Relativamente ao Wrestling Spam, decidi criá-lo, porque não me senti no direito de me propor a qualquer blogue da altura sem ter escrito, apresentado o que quer que fosse ou dado provas de alguma coisa...portanto, achei que a melhor forma, seria criar o meu próprio blogue e, depois, certamente, as coisas iriam acontecer com naturalidade. O nome "Spam" que escolhi para o blogue está, obviamente, relacionado com a nossa função enquanto dirt sheets de disseminar e divulgar a modalidade o mais possível (e também com o facto de fazer bastante spam dos seus conteúdos no antigo MSN, confesso lol).

Embora já não haja publicações novas há bastante tempo, a verdade é que o Wrestling Spam continua aberto para consulta de quem o quiser visitar, certo?

Não, o Wrestling Spam que podem consultar agora é um blogue pessoal que criei para colocar (quase em forma de arquivo) todos os textos que vou escrevendo, está um pouco desactualizado porque ainda não carreguei os que publiquei mais recentemente, mas, mais dia, menos dia, hei-de acertar as coisas. O Wrestling Spam antigo, o original, passado algum tempo depois de o ter criado, contou com a participação de outros jovens que estavam a escrever pela primeira vez na blogosfera e, infelizmente, abri a administração a dois ou três desses membros que, posteriormente, o viriam a apagar sem o meu conhecimento e/ou consentimento...ainda hoje não sei quem o fez, mas pronto, são coisas que acontecem.

E o XBooker, porque decidis-te integra-lo quando já tinhas um blogue e como aconteceu a teu ingresso nesse novo projecto?

O XBooker era um dos maiores blogues da altura, tinha imensas visitas e comentários, e, acima de tudo, uma equipa de redactores que eu admirava. Era, portanto, um espaço com muito maior visibilidade e com muito mais feedback que o blogue "caseirinho" que eu tinha criado. O meu ingresso no XBooker deu-se após o convite de um dos seus administradores à época, o Diogo "Shocker" Morgado, convite esse que rapidamente aceitei após acordarmos quais seriam as minhas tarefas e aquilo que, da parte deles, me era exigido.

Mas, em pouco tempo, tornaste-te administrador do XBooker, não foi?

Sim. Infelizmente muito do pessoal que lá escrevia quando entrei para o blogue, passado pouco tempo, abandonou a blogosfera e/ou parou de escrever e de fazer publicações deixando as coisas numa situação algo complicada. O Pedro "Axe" Machado (fundador e administrador principal) convidou-me depois para integrar a administração e, à medida que ele se foi afastando ou tendo cada vez menos disponibilidade para gerir o XBooker, eu fui ficando responsável pelas coisas. Apesar de termos enfrentado períodos de alguma dificuldade, a verdade é que conseguimos dar sempre a volta por cima e apresentar bons conteúdos. Conseguimos, ao longo do tempo, formar sempre boas equipas de redactores e membros do blogue.

No entanto, o XBooker também viria a encerrar. Que situação levou ao fim do blogue?

Para o bem ou para mal, os blogues vivem muito da disponibilidade que os seus administradores principais ou administrador de maior responsabilidade têm. O XBooker não fugia a essa regra, apesar das boas equipas que sempre o constituíram, sem um administrador que tratasse do dia à dia do blogue, da sua agenda, das publicações e dos seus membros, dificilmente conseguiria continuar. Ora, como o fim do período universitário e a entrada no mercado de trabalho exigiu da minha parte uma disponibilidade e responsabilidade muito maiores, deixei de ter o tempo que desejava e que era necessário para continuar a gerir o XBooker. Por outro lado, não consegui encontrar ninguém realmente interessado e motivado para ficar a cargo da administração e, como não queria encerrar totalmente o blogue, fiz uma proposta ao Wrestling Notícias para fundirmos as nossas equipas e continuarmos a trabalhar, dentro do possível, no blogue deles. Portanto, oficialmente, o XBooker nunca encerrou (e se quiserem podem aceder ao blogue e consultar tudo o que lá foi publicado), na verdade, o XB continuou a viver dentro do Wrestling Notícias (embora, actualmente, seja eu o único membro do XB que continua em actividade).

Mas tu também já não escreves com a regularidade de outrora...

Pois. É como referi anteriormente, as responsabilidades e disponibilidade, agora, são outras. Quando tenho tempo e consigo encontrar temas e assuntos que julgo interessantes, vou escrevendo e publicando novos textos e reflexões. Sempre que isso não for possível, serei forçado a ausentar-me por algum tempo (alguns maiores que outros, como realmente tem acontecido). Em todo o caso, de há 2 meses para cá tenho vindo a conseguir escrever com muita regularidade, não posso garantir que as coisas continuem assim, mas enquanto o conseguir fazer, podem contar com o meu contributo.

Recentemente escreveste sobre a actual situação da CWO Nacional. Olhando para trás, sentes saudades da vivacidade que ela emanava?

Sim. Foi de facto um período muito vivo. Uma época de enorme esforço por parte dos membros dos diversos sites, blogues e fóruns e uma altura de grande participação daqueles que, não escrevendo ou publicando nada, visitavam e seguiam as mais diversas plataformas. Sei que vivia-mos um período diferente em que o pro wrestling atravessava um grande boom no nosso país e também que esse clima e ambiente arrefeceu bastante...no entanto, continuo a acreditar que, se as pessoas que diariamente seguem os blogues, os sites e participam de fóruns, tiverem disponíveis para aumentar o seu grau de intervenção nas discussões, nos debates e/ou nos comentários, até mesmo, se quiserem começar a expor as suas ideias e a partilhar os seus conhecimentos, a situação pode alterar-se para melhor. É preciso é haver vontade, interesse, motivação e uma verdadeira disponibilidade da parte desses visitantes e seguidores.

Por falar em visitantes e seguidores, é um facto que há muita mesquinhês nos comentários de alguns anónimos, da mesma forma que as "guerras" entre os fãs da WWE e os adeptos da TNA também costumam inundar muitos posts. Como encaras essas situações?

Se quiserem podem encarar isto como uma crítica e, no fundo não deixará de o ser, mas a verdade é que grande parte do pessoal que frequenta a CWO e a blogosfera, em particular, é ainda muito novo, algo imaturo e, por vezes, demasiado infantil. Pessoalmente, recebo as críticas com grande prazer, se elas forem verdadeiramente fundamentadas e aparecerem como resultado de um debate de ideias e de opiniões perfeitamente natural e saudável. Agora, quando determinadas anónimos partem para o insulto gratuíto, para o mal dizer e bota abaixo, enfim, não dou qualquer valor a essas situações...nunca deixarei de responder, porque é mais forte do que eu dar resposta, mas o valor que dou à situação será sempre mínimo ou nulo. Por outro lado, a guerra entre os fãs da WWE e da TNA também me aborrece de sobremaneira. É reveladora da tal imaturidade que referi, mas também de uma grande intolerância para com as preferências dos outros. Mais que tudo, revela uma grande falta de conhecimento e de compreensão acerca da própria modalidade e seus conteúdos, mas pronto, também é um pouco o reflexo dos valores da generalidade dos jovens de hoje, para quem é muito mais fácil dizer ou escrever o que calha, sem pensar muito, sem procurar conhecer e informar-se acerca dos assuntos, etc. Nós não podemos obrigar ninguém a mudar, mas numa situação perfeita, qualquer fã da modalidade deveria estudar a sua história, assistir aos seus mais diversos programas, ppvs e dvds, ouvir os wrestlers e demais intervenientes da indústria...e então só depois formar a sua opinião. Mas as coisas são como são...

Muito bem...e relativamente aos colegas/companheiros da blogosfera, fizeste algumas amizades?

Bem, eu não lhe chamaria amizade porque é um termo um bocado forte de mais para descrever relações entre pessoas que nunca se viram. Contudo, julgo que ao cabo deste 7 anos acabei por encontrar e "conviver" online com algumas pessoas interessantes e de que fiquei mais próximo. Especialmente de alguns dos membros que formaram as equipas do XBooker. Outros há que, não tendo convivido da mesma forma com eles ou partilhado e trocado opiniões, não deixo de respeitar e admirar pelo trabalho que fizeram e pela importância do mesmo na nossa comunidade.

E quem são e/ou foram esses nomes que mais admiras e respeitas?

Não quero ser injusto e, por isso, se me esquecer de alguém, peço que me desculpem. Como disse, a princípio admirei bastante os trabalhos do Marcão e do Talionis, assim como o da Rute. Depois, quando passei a intervir directamente na CWO, tive oportunidade de contactar e trocar ideias com mais pessoas, de conhecer de uma forma mais profunda as publicações e os bloggers que as faziam...sempre admirei o pessoal do Wrestling Noticias, especialmente o Gandhy, o Wolve, o Deadman e o Manjinmortal. Depois, há também aquele pessoal com que trabalhei no XBooker e com quem gostei de partilhar tarefas de blogue e um sem número de conversas e discussões, pessoas como Pedro "Axe" Machado, o Fundertaker (talvez aquele de quem tenha ficado mais próximo, na altura) e o próprio Hunter. Actualmente, do pessoal que foi aparecendo, gosto imenso do trabalho do João Basílio com o seus SmarkDown e Battle Royal. Muitos outros houve que respeitei e admirei, mas julgo ser este o core e núcleo duro de entre os que, de uma forma ou de outra, me "marcaram" mais.

Para terminar-nos a entrevista, deixa-me perguntar-te, ao cabo de 200 edições do teu espaço, o que te motiva ainda a escrever e a partilhar as tuas reflexões?

Em primeiro lugar e como não poderia deixar de ser, é, acima de tudo, o gosto pela modalidade, pela indústria e por grande parte de tudo aquilo que a envolve. Depois, temos de reconhecer que no nosso país o pro wrestling não é algo com muitos adeptos ou que esteja enraízado na nossa cultura e isso torna bastante difícil encontrar alguém com quem possamos trocar ideias e/ou opiniões sobre os mais diversos assuntos e temas que giram em redor do business. Com os meus amigos posso falar de futebol e outros desportos, posso falar de música, posso falar de cinema e literatura, posso falar de política, posso falar de trabalho, posso falar de "gajas" (lol), enfim, posso falar das mais variadas situações da minha vida, mas não posso falar de wrestling porque não tenho ninguém suficientemente próximo que goste ou acompanhe a modalidade. A CWO, embora seja uma comunidade online e pequena, repleta de estranhos, não deixa de ser um espaço onde posso debater e discutir sobre a modalidade, onde posso trocar conhecimentos e informação, onde posso ensinar e aprender, etc. Portanto, a minha participação na CWO complementa a necessidade que tenho de falar sobre wrestling. O facto de escrever e publicar os meus textos e reflexões representa, portanto, apenas, o modo mais estruturado e organizado que encontrei de participar e intervir na nossa pequena comunidade.

Por último, alguma mensagem que queiras deixar para quem nos le e visita?

Sim. Um pouco no sentido daquilo que escrevi e publiquei acerca da comunidade de wrestling online nacional. Apelar a uma maior participação e intervenção dos nossos visitantes e seguidores, incentiva-los a tornarem-se, também eles, bloggers, cronistas e-ou editores de espaços, etc. Mas gostava de apelar, ainda, para que procurassem continuar a acompanhar a modalidade e os conteúdos apresentados pelas mais diversas promotoras para que, quando tiverem de formar e expressar uma opinião, tenham realmente conhecimento de causa no que toca aos assuntos que abordam...também, para serem mais e melhor conhecedores da indústria e da história do business. E, por último, gostava de deixar um repto para que continuem a visitar o Wrestling Notícias e para que visitem também o Wrestling Spam.

E vocês, o que vos faz ser fãs de Pro Wrestling?!

Um Abraço,
Dias Ferreira


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Dias Ferreira
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