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Dias is That Damn Good #195 – "TNA, Uma Nova ECW"

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Dias is That Damn Good #195 – "TNA, Uma Nova ECW"

Mensagem por Dias Ferreira em Sex Ago 22 2014, 23:34

Boas Pessoal!

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Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO

A TNA desde a sua génese tem passado por diversas fases e transformações, sendo que as suas estratégias e políticas são, geralmente, bastante inconstantes e alvo de sucessivas alterações. Por consequência, sem um rumo claramente definido e consubstanciado por uma verdadeira aposta de longo prazo, a companhia vê-se de forma recorrente "atolada" em problemas de viabilidade económico-financeira e obrigada a lidar com a instabilidade que essa situação cria na gestão dos seus wrestlers, programas, ppvs e diversos eventos. Ora, ao que parece, depois de ter passado, mais uma vez, por uma dessas fases que acabei de referir, a empresa de Dixie Carter está, novamente, a reorganizar-se e a apontar baterias para o novo plano e estratégia.

No mesmo sentido e em consonância com este novo caminho delineado, personalidades tornadas célebres pelas suas passagens na histórica ECW (como Bully Ray, Tommy Dreamer, Tazz e Al Snow) têm vindo a ganhar, cada vez mais, peso, importância e preponderância no rumo criativo e administração da promotora. Situação evidenciada, acima de tudo, se tivermos em linha de conta a produção e conteúdos apresentados pela TNA nos seus mais recentes programas e eventos e no modo como esta se parece ver a si própria. Neste sentido, aquilo que me proponho abordar ao longo do presente texto versará neste novo plano e estratégia alinhavados pela TNA. Mas, também, nas transformações que dele advêm e suas possíveis consequências, quer positivas, quer negativas.

Não percam, por isso, as próximas linhas...

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Quando a TNA foi criada, em 2002, por Jerry Jarrett e Jeff Jarrett, apesar das dificuldades e limitações que representavam um mercado altamente monopolizado pela WWE, ainda o clima e ambiente em redor da modalidade era extremamente efervescente e entusiástico. Por estas razões, e porque não havia uma verdadeira alternativa à promotora de Vince McMahon, a companhia de Orlando, com maior ou menor acerto, foi conseguindo conquistar o seu espaço, consolidar-se e desenvolver-se. Contudo, e como já tive oportunidade de referir na introdução a este texto, a falta de capacidade para preparar uma estratégia de longo prazo e para apostar numa política de opções e decisões complementares à mesma, não permitiu à TNA retirar todos os proveitos e resultados esperados e necessários para estabelizá-la aos mais diversos níveis. Consequentemente, a viabilidade economico-financeira da promotora é uma problemática que está sempre na ordem do dia e, ela própria, obriga a que, de tempos a tempos, se dêem avanços e recuos, se verifique um reagrupar de forças e uma reorganização estrutural. Aconteceu assim com o processo que gradualmente levou Dixie Carter ao topo da empresa e, também, aquando das chegadas de Hulk Hogan e Eric Bischoff. Ora, ao que tudo indica, e penso não restarem grandes dúvidas a este respeito, é o reagrupar e reorganizar do período pós-Hogan e Bischoff que se vive, actualmente, na TNA.

No entanto, ultrapassar com sucesso o anterior momento que a companhia de Dixie Carter vivia não se adivinha uma tarefa fácil. Nós podemos criticar as más opções que foram tomadas e questionar inúmeras oportunidades perdidas durante esse período em que Hogan e Bischoff tinham preponderância no rumo da companhia, mas nunca podemos esquecer que jamais a TNA havia sido tão grande como nessa época, nunca a empresa teve uma organização e estrutura de "main stream" como nessa altura e nunca, como nesse tempo, a TNA conseguiu levar tantos fãs aos seus espectáculos, eventos e arenas. Ainda a este respeito, recordo que nunca como neste período a promotora apresentou uma produção tão moderna e de elevado nível de qualidade. E é, de facto, uma pena que a má administração financeira que se fez nessa época tenha deitado tudo a perder. Tal como é uma lástima, reconheço, que com tanto star power, com tantas personalidades de enorme visibilidade e mediatismo, com storylines de elevado potencial e com talentos de grande qualidade, a TNA não tenha conseguido, de certa forma, rejuvenescer o seu plantel em posições chave através da criação de, pelo menos, um top drawer.

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A administração de Dixie Carter tomou, todavia, a sua decisão...a companhia, primeiramente, deu uns passos atrás, reagrupou-se, cortou nas despesas, passou a gravar vários iMPACT's e PPVs de seguida, deu oportunidade a alguns jovens wrestlers, fez regressar o six-sided ring e ficou com um aspecto e dimensão mais "caseiros". Seguidamente, reforçou o poder criativo de algumas personalidades com peso e história na TNA e com um passado célebre na ECW, e decidiu-se por fazer as novas gravações em pavilhões e arenas um pouco mais pequenas. Por consequência, o modelo de produção e os próprios conteúdos apresentados pela empresa sofreram uma profunda alteração. Parece, aliás, que o modo e forma como a companhia se vê e se concebe a si própria se modificou substancialmente. A produção passou a ter uma concepção bastante mais restrita e limitada, mais indy, sem o ecrã tintantron e a clássica pirotecnia, as promos, os videos e as entrevistas de backstage parecem filmadas com uma camera caseira e o ambiente tornou-se bastante mais apertado e claustrofóbico. Por outro lado, ao nível dos conteúdos, reforçou-se a importância da X-Division como factor diferenciador da empresa e deu-se um novo "gás" às divisões de equipas e feminina...fizeram-se regressar alguns nomes fortes da modalidade como Devon, Matt Hardy e Rhino e, acima de tudo, os combates e desenvolvimentos dentro do ringue viram o seu peso e importância serem fortalecidos. Por último, no que respeita exclusivamente às construções de combates e storylines, parece-me que a influência dos "ECW Guys" se tem evidenciado tremendamente...para o compreendermos, julgo que basta estarmos atentos ao tipo de rivalidades que se têm travado, ao facto dos embates se realizarem quase todos sem desqualificações e com muitas "armas" pelo meio, ao tipo de promos e, especialmente, á forma como os wrestlers e restantes talentos interagem com o público e/ou vice-versa.

Podemos concluir, portanto, que a TNA assumiu uma espécie de padrão/modelo bastante semelhante ao que preconizava a extinta ECW. E é neste ponto que a promotora e, sobretudo, quem a gere me deixa desiludido. Eu compreendo as dificuldades pelas quais a TNA passa e percebo que não é fácil dar a volta à situação, reconheço o esforço que os wrestlers, agentes, bookers, produtores e writers têm feito e todo o seu empenho é de salutar...mas é possível melhorar e crescer sem se cometerem erros tão grandes quanto a apresentação de uma replica moderna da ex-promotora de Paul Heyman. E vocês perguntam, mas é um erro assim tão grande porquê?! Vejamos então um pouco da história da ECW...uma pequena empresa de extreme pro wrestling com um núcleo de fãs e seguidores fanáticos mas bastante restrito, envolvida constantemente em problemas financeiros e contraindo sucessivamente dívidas aos seus empregados, lutadores e fornecedores, produtora de espectáculos na sua generalidade selvagens, sem um pingo de psicologia de ringue e onde o efeito surpresa de um acontecimento hardcore e a genialidade da utilização de uma "arma" perdia qualquer relevância de tão generalizada que estava essa prática, uma companhia onde os riscos corridos pelos talentos eram gigantescos e a possibilidade de terminarem prematuramente as suas carreiras tinha uma percentagem elevadíssima e, por essa razão, à mínima oportunidade escapavam para a WWE ou WCW, etc. Confesso que nunca gostei da ECW embora reconheça a importância que teve na criação de um hardcore style mais moderno e inovador e no lançamento de algumas estrelas de grande valor...agora, tudo o que disse, anteriormente, são, a meu ver, razões mais do que suficientes para encarar com pessimismo qualquer tipo de aproximação da TNA àquilo que constituiu a ECW. A TNA precisa reagrupar e reorganizar-se?! Sim. Necessitava dar um passos atrás para poder dar dois passos em frente?! De acordo. Precisava de uma nova estratégia e plano?! Claramente. O caminho que está a seguir é o mais correcto?! Temo e tenho quase a certeza que não...a não ser que a TNA queira ser apenas mais uma indy e tenha deixado de ambicionar constituir-se numa verdadeira "main stream" que, com o tempo, poderia tornar-se concorrente da WWE...a não ser que a TNA tenha deixado de lutar por um verdadeiro spot em prime-time.

E para vocês, a TNA está ou não a ficar cada vez mais parecida com a ECW?! Deve ser esse o seu caminho?!

Um Abraço,
Dias Ferreira


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